domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hino Nacional Brasileiro

Ontem, 5/2/2011, na formatura do técnico da minha irmã depois de cantaram uma música que deveria ser do Rick Martin e outra do Elton John, teve o discurso de ‘início’ da formatura, depois tocou-se o hino nacional, enquanto o hino era executado e cantávamos me veio algumas dúvidas na cabeça (só poderiam me vir nela mesmo):
• Será que as pessoas entendem o hino nacional?
• Será que ele nos representa?
• Quem o escreveu?
• Será que o hino integra todo o país?
• Será que as pessoas o conhecem?
• Sabem das circunstâncias das quais ele foi composto e do que fala?
• Será que sabem da história do nosso pais?
• Por que os países têm um hino nacional, o que isto representa?
Isto me despertou certa curiosidade e então fui recorrer ao sabido Google para sanar algumas dúvidas, logo de cara já encontrei algo que boa parte dos brasileiros não devem saber, sempre soube que não poderíamos aplaudir após o hino, mas nunca soube porque, eis que me aparece a Lei nº 5.700, de 1 de setembro de 1971, que “Dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais, e dá outras providências”. Algo interessante!
De acordo com o Capítulo V da Lei 5.700 (01/09/1971), que trata dos símbolos nacionais, durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio. Civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações. Além disso, é vedada qualquer outra forma de saudação (gestual ou vocal como, por exemplo, aplausos, gritos de ordem ou manifestações ostensivas do gênero, sendo estas desrespeitosas ou não).
Segundo a Seção II da mesma lei, execuções simplesmente instrumentais devem ser tocadas sem repetição e execuções vocais devem sempre apresentar as duas partes do poema cantadas em uníssono. Portanto, em caso de execução instrumental prevista no cerimonial, não se deve acompanhar a execução cantando, deve-se manter, conforme descrito acima, silêncio.
E continuando a lei entramos, claro, as penalidades, olha que interessante:
Art. 35 - A violação de qualquer disposição desta Lei, excluídos os casos previstos no art. 44 do Decreto-lei nº 898, de 29 de setembro de 1969, é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de uma a quatro vezes o maior valor de referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência (Redação dada pela Lei nº 6.913, de 1981). Seja lá que valor for este deve ser alto...
Art. 36 - O processo das infrações a que alude o artigo anterior obedecerá ao rito previsto para as contravenções penais em geral. (Redação dada pela Lei nº 6.913, de 1981).
Eu não entendo muito de lei, mas imagina, um belo dia, você sai da delegacia, seu pai vai te buscar preocupado e etc, e pergunta qual foi a infração, dai você diz: “Ah, cantei o hino nacional em continência” ou "aplaudi quando acabei de cantar o hino", por exemplo. Ridículo. É bonito a regulamentação etc, algumas disposições, mas, ao meu ver algumas são inúteis.
Sem contar que onde você aprendeu o que está regulamentado nesta lei que:
Art. 39. É obrigatório o ensino do desenho e do significado da Bandeira Nacional, bem como do canto e da interpretação da letra do Hino Nacional em todos os estabelecimentos de ensino, públicos ou particulares, do primeiro e segundo graus.
Além do mais, fugindo um pouco do hino, mas ainda em símbolos nacionais imagina. Você ser autuado por ter uma bandeira suja:
Art. 31. São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas:
I - Apresentá-la em mau estado de conservação.
Ou ainda:
II - Mudar-lhe a forma, as côres, as proporções, o dístico ou acrescentar-lhe outras inscrições;
Embora quando o Sepultura colocou o símbolo da banda na bandeira houve algumas retaliações, o que ao meu ver foi uma forma de demonstrar o amor ao país etc, foi visto como um desrespeito à pátria. Estranho. O que a bandeira da mesa do congresso representa então? Está limpa e do jeito que deve estar, mas e o que fazem em cima dela? Isto deveria ser visto como um desrespeito.
Bom, deixa pra lá... Mudando de assunto, ainda tem mais, a lei exige que não cantem o hino pessoas fora de ritmo:
Art. 24. A execução do Hino Nacional obedecerá às seguintes prescrições:
III - Far-se-á o canto sempre em uníssono;
Fica a dica pra quem não consegue acompanhar a música. Melhor ficar quieto do que ser julgado por desrespeito à pátria.
Ah, esqueci, se sua bandeira estiver em mau estado de conservação podem ser tomadas de ti para queimá-la:
Art. 32. As Bandeiras em mau estado de conservação devem ser entregues a qualquer Unidade Militar, para que sejam incineradas no Dia da Bandeira, segundo o cerimonial peculiar.
Será que não entregar uma bandeira em mau estado de conservação também terá de pagar multa, o “infrator”?

Enfim... Voltando ao assunto: O Hino Nacional é interessante ele foi escrito inicialmente em 1822 por Francisco Manuel da Silva para comemorar a abdicação de D. Pedro I ao trono, depois a letra foi alterada exaltando D. Pedro II. Depois por divergências militares e políticas e após a proclamação da república fez-se um concurso para escolher o hino, inicialmente o hino de Leopoldo Miguez que havia ganhado foi rejeitado pelo povo e por Marechal Deodoro da Fonseca e acabou sendo oficializada como o hino da proclamação da república e como hino nacional, foi aberto novo concurso em 1906 e em 1909 escolhido a letra de Joaquim Osório Duque Estrada como aquela que melhor se adaptou a música de Francisco Manuel da Silva, a mesma música composta em 1822, originalmente a “Marcha Triunfal” comemorando a independência do país. Em 1916 houve uma alteração, ainda, a letra. Em 1822 doi declarado oficialmente em 1922 e “comprado” os direitos pelo Poder Executivo em 1922. Em 1936 o Deputado Lourenço Baeta Neves declarou obrigatório o canto do Hino Nacional nas escolas.
Bom, historicamente falando o hino representa primeiro a liberdade do Brasil de Portugal, a exaltação de nosso imperador Dom Pedro II e depois um hino de exaltação à pátria, afinal é um hino nacional e não um hino ao imperador. Figuras importantes do hino:
Joaquim Osório Duque Estrada era bacharel em letras e filho do tenente-coronel, Luiz de Azevedo Coutino Duque Estrada. Publicou livros de poesia, didáticos, peças teatrais, traduções, libretos de operas e conferências, foi crítico literário em três jornais importantes da época (Correio da Manhça, Imparcial e Jornal do Brasil). Republicano, dedicou-se à diplomacia, foi nomeado 2º Secretário de Alegação (no Paraguai), foi regente interino da cadeira de História Geradl e do Brasil no Colégio Pedro II. Ocupou a cadeira 17 da ABL.
Francisco Manuel da Silva foi compositor, regente, violoncelista e professor. Compôs em 14 de abril de 1831 o “7 de Abril (hino sobre a abdicação de D Pedro I), que se trasnfornou no primeiro Hino Nacional Brasileiro. Fundou a Sociedade Beneficência Musical, em 1841 foi elteito Mestre Geral da Campela Imperail e em 1842 Mestre Compositor da Capela Imperial. Foi condecorado com a “Ordem Rosa”, como Oficial, em 1857.
Leopoldo Américo Miguez foi compositor, violinista e maestro, wagneriano e republicano.
Marechal Deodoro da Fonseca foi militar e político republicano brasileiro, eleito o primeiro presidente do Brasil de 1889 a 1891, durante o governo provisório.
Dom Pedro I foi o primeiro imperador do Brasil de 1822 a 1831, quando abdicou para seu filho Dom Pedro II. Dom Pedro I foi aquele que disse em 9 de janeiro de 1822 que "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico!", declarando também que nenhuma ordem das cortes portuguesas seria cumprida no Brasil sem a sua autorização, entrando diretamente em conflito com Portugal o que culminaria na Independência do Brasil à 7 de setembro de 1822, no chamado “Grito do Ipiranga", naquele riozinho ali pra baixo do museu do Ipiranga.
Dom Pedro II filho de Dom Pedro I, 2º Imperador do Brasil de 1831 a 1889, quando foi deposto pelo golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da FOnseca (esse ai em cima) e proclamada a República do Brasil. Dom Pedro II foi um grande incentivador da educação e da cultura, contra a escravidão, sendo considerado "um príncipe filósofo por Lamartine, um neto de Marco Aurélio por Victor Hugo e um homem de ciência por Louis Pasteur e ganhando a admiração de pensadores como Charles Darwin, Richard Wagner, Henry Wadsworth Longfellow e Friedrich Nietzsche".
Bom, o hino nacional é um hino de idolatração à pátria, algo que revele as qualidades do país e de seu povo, deve procovar o patriotismo. Reflete a tradição, a história, os costumes, características do povo etc. Sendo assim é difícil, penso, representar todo o Brasil, no nosso caso, claro!, pois o Brasil é muito grande, cada estado ou região tem sua história, suas características e a história do Brasil após a descoberta foi escrita nas cidades litoraneas, só depois foi adentrando o país e grande parte da história aconteceu em São Paulo/Rio de Janeiro/Minas Gerais. São muitos povos, muitas tradições, muitos costumes, características diferentes, não sei se, de fato, nosso hino é um hino nacional. Apesar que não poderíamos ter mais de um hino, senão seriam hinos regionais, o que seria um contradição, em termos. Na minha opinião não temos um Brasil, mas muitos “brasís” dentro de um só.
Do Hino Nacional discordo de alguns trechos, como:
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Da forma que foi composta diz que a independência, a liberdade, foi conquistada pelo povo com coragem e força, quando na verdade, foi proclamada pelos líderes políticos, pela elite, por questões políticas, pelas pressões sofridas de Portugal. Outra:
Gigante pela própria natureza
A grandeza de um país não lhe é dada por natureza e sim por convenção, pois são os homens que dividem as terras e a delimitam. Ainda outra:
Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Será mesmo que o brasileiro morreria pela patria? Será que levantaria a clave, ou pelo menos a voz contra a injustiça? Se sim, onde eles estão com tanta coisa errada acontecendo no país e todos estão calados? Se não, esta parte do hino é falsa, mentirosa. Fala de alguém ou que morreu ou que está por vir, pois hoje, não vejo este filho que não foge a luta, nem que morreria pelo país.

De todo modo segue o Hino Nacional:

Hino Nacional Brasileiro
I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
• Trecho sublinhado extraído por Duque-Estrada do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias. O poema foi escrito na época em que GD foi para Portugal estudar Direito, em 1843. Na época estava em voga o Romantismo, em sua primeira fase. No Brasil marcada pelo indianismo e pelo nacionalismo. GD junto com Gonçalves de Magalhães foram os principais poetas e as características principais do movimento são nacionalismo, exaltação do país e da natureza, o índio é o herói nacional e estão há duas décadas da independência, o que (in)diretamente é causa das outras características. Poderíamos ainda traíamos ainda ler alguns outros poemas que tratam do mesmo assunto de como alguns poemas de Drummond, Vinicius de Morais, , Casimiro de Abreu dentre outros, porém não vou me estender mais... Segue o poema Canção do Exílio para finalizarmos:

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Despedida, e Recomeço...

Semana passada pedi as contas do trabalho (...) Depois que pedi as contas comecei a pensar no que falaria nos 'clássicos' e-mails de despedida, escrevi algumas versões, mas decidi não enviar nenhuma delas, ainda estou cumprindo aviso, não escrevi ainda o e-mail, mas vou publicar aqui o que decidi não enviar lá...

Versão 1


O que aprendi aqui?!...
Aprendi que na vida conheceremos pessoas fantásticas que nos “apaixonaremos”, pelo seu jeito, por ter uma educação e conhecimento fora do comum, por nos ensinarmos com suas ações tudo o que precisamos saber para enfrentar situações difíceis, para amadurecer, saber o que dizer, como dizer, como fazer, o que fazer, tudo na hora e do jeito certo. Na vida conhecemos mestres.
Aprendi na vida, também, que os mestres vão embora...
Aprendi que quando você quer, você faz, mas não é só isso que nos impulsiona, estamos sempre aprendendo, precisamos de orientação e precisamos de motivação para continuarmos fazendo. O ser humano também é movido por reconhecimento, e quando se trabalha no meio de pessoas o feedback de como está seu desenvolvimento é fundamental.
Aprendi que quem faz pra quem finge que acompanha é quem grita mais alto.
Aprendi que mudanças são positivas se forem focadas, se tiverem um rumo, um porquê, um objetivo. Mudar por mudar, sem planejamento ou acompanhamento gera insegurança, pois lideres são diferentes, as pessoas são diferentes, os modos de viver são diferentes e não é possível orientar e acompanhar se estamos a cada segundo mudando de uma forma à outra e voltando e indo novamente. Precisamos ter um pilastra central para nos sustentarmos.
Aprendi que fazer não é o bastante, você precisa mostrar o que fez, não há reconhecimento sem apresentação, sem se mostrar, sem saber vender-se. Importante é saber fazer tudo isso eticamente.
Aprendi que educação não está só no modo de como falar ou tratando gentilmente as pessoas, há falta de respeito e educação em várias atitudes gentis. Pedir desculpas não muda o que passou, não altera os fatos, não retira o que ficou preenchido em nosso coração. Pequenas atitudes como atrasar-se é um sinal de falta de respeito com o próximo.
Aprendi que quem quer fazer a coisa certa geralmente se dá mal, sofre mais, sangra mais, mas fundamental é estar com a consciência limpa de que em todas as suas ações foi-se ético, civilizado, foi-se humano.
Aprendi que quem sangra aprende mais e cresce mais. Comodidade é atraso de vida, é ficar pregado sempre no mesmo lugar. Geralmente o que é fácil demais não nos acrescenta nada e vida é desenvolvimento, é movimento.
Aprendi que há pessoas que marcam e há pessoas que por mais que conviva com ela sempre esquece-se que ela exista, alguns não nos marcam por sua insignificância. Aprendi que temos que conviver com quem amamos e com quem odiamos e com ambos termos a mesma postura.
Aprendi que mesmo com razão quem perde o controle está errado.
Aprendi que não há muita justiça na vida...
Aprendi que simpatia traz muitas pessoas pra perto e que profissionalismo no meio da simpatia alheia afasta as pessoas, o profissional, o homem da cartilha é taxado de chato, bajulador dentre outros.
Aprendi que nada está bom, as pessoas sempre esperam mais de você, muitas vezes elas não dão o suficiente delas, ou não dão tanto quanto cobram.
Aprendi que sempre alguém falará mal do que você faz por inveja ou incapacidade, alguém sempre tentará te diminuir na frente dos outros ou tentará se diminuir para você o elevar ou mostrar suas fraquezas, Nietzsche uma vez corrigindo a passagem bíblica (“Quem rebaixa aos outros, quer elevar-se a si mesmo”), diz que “Quem rebaixa a si mesmo quer ser elevado”.
Aprendi que devemos ser mais racionais do que emotivos, a emoção nos guia por caminhos tortuosos e sofremos mais do que devemos, a paixão nos leva a loucura.
[incompleto]


Versão 2

Tudo na vida a seu tempo. Tudo na vida tem seu tempo. O homem é um animal desejante, pensando, um ser que sonha... E por sonhar queremos sempre mais, melhor.
O homem sabendo ou não sofre de desespero, desespero pelo ‘eu’, desespero pelo desejar e pelo conseguir. Estamos sempre querendo algo e sempre que conseguimos uma coisa queremos outra nova, diferente. Estamos sempre nos buscamos - mas facilmente perdemos a nós mesmos -, sempre querendo ser algo, ser alguém, possuir algo ou alguém, como se isto fosse uma parte perdida de nós mesmos. Em todos os lugares procuramos identidade. Este é o motivo do seu desespero.
A causa deste mal é, também, o que nos faz grandiosos: imaginamos sempre outros meios e modos de como conquistar algo. Os homens precisam elevar-se, tudo pra ele tem seu tempo, quando não há mudanças, logo vem o cansaço, a insatisfação, a tristeza...
Alguns resignam com as injustiças e os males, outros lutam, outros pacificamente tentam mudar a situação recorrendo aos superiores, que podem intervir ao que está sendo feito de errado, porém se nada é feito estes abandonam o barco e vão em busca de outro navio, outra tripulação, as vezes até outros portos ou mares. Aos que se resignam, acabam aceitando e praticamente (voluntariamente ou não) as mesmas ações injustas; aos que lutam não guardam rancor ou tristezas, pois estão ativamente se opondo, resistindo e fazendo de tudo para mudar a situação; aos que tentam resolver politicamente há o rancor, pois nem sempre há o desejo da mudança, ou a intenção, ou apenas a boa-vontade em ajudar, estes são os que partem, não encontrando apoio nem pegando em armas, preferem abandonar a situação a sofrerem calados.
Mudança e desejo é o que nos move, amor e ódio, coragem e indignação, guerra e paz...
Importante é não resignar-se, não abandonar-se, não trair-se, não tomar do mesmo veneno dos demais, não se juntar aos trapos, aos ladrões, aos baderneiros, aos preguiçosos, aos invejosos, aos insolentes...
Importante é querer mudar, querer evoluir, querer ir adiante, ultrapassar...
Importante é além do desejo a ação, desde que haja virtude e honra nestas ações, não é pegando em armas ou armando contra outras pessoas, mas com as palavras que mudamos nossos caminhos, que moldamos pessoas, que as formamos, que discutimos, através delas são feitos acordos...
Importante também é não se apegar, pois tudo é passageiro, tudo muda, tudo é volátil, passageiro...
Seja sincera consigo próprio e lute pelo o que acredita, tenha valores, saiba julgar e ser justo, tenha argumentos para se defender e se impor. Leve a vida o mais tranquilamente possível, a felicidade é um estado de espírito, algo que se alcança, não que se compre ou se ganhe.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eterno Retorno

"

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse:

"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!".

Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías:

"Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!"

Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa:

"Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?"

pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

"

Friedrich Nietzsche, "Eterno Retorno", A Gaia Ciência

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ano Novo...

31 de dezembro, último dia do ano para quase todo mundo, bom, para todos os países que seguem o calendário cristão hoje é o último dia, amanhã um novo dia, um novo ano, uma nova esperança, um novo sonho, uma nova vida...
Época em que avaliamos nosso ano, colocamos tudo na balança, vemos o que resultou positivamente e o que não deu certo, o que conquistamos e o que perdemos, e iniciamos novos planos para o novo ano que se segue.
O tempo se olhado no calendário parece fechado, com começo, meio e fim e depois de 365 dias se renova, o calendário nos dá esta ilusão proveitosa, o tempo não acaba, ele continua eternamente, o calendário é uma forma de prender o tempo, querer segurá-lo no presente, mesmo que esteja num passado distante. E tentamos prendê-lo o tempo todo, com fotos, registros, guardando documentos, papéis etc.
O tempo passa o tempo todo, todo tempo passado faz parte de nossa história e nada pode mudá-lo, a vida toda é feita de impressões que nunca são esquecidas, nunca podem ser alteradas, nosso passado está enterrado sob a pedra da vida, uma pedra imensa, um fardo pesado, porém invisível. Quando não temos ciência de que tudo o que fazemos volta-se contra nós no tempo, no futuro, perdemos vida. O Destino é implacável, não tem dó, não perdoa nada, nada passa despercebido, nada se esquece, nada se muda, tudo permanecerá eternamente qual foi, exatamente em cada milésimo de segundo, cada sensação, cada riso e cada dor. Ao Destino e ao Tempo não engana-se.
Passamos a vida, porém, contando com a Sorte, que escolhe a dedo a felicidade ou o infortúnio, mas à Sorte podemos escapar; quando navegamos sem conhecer o mar, as ondas, e as correntezas, ficamos a mercê do seu agrado. Nossa vida não é diferente, quando não fazemos nada de nossas vidas, ficamos a mercê da vida, do Destino e do Tempo, até que um dia nosso tempo acabe e nossas vidas serão tão inúteis que passarão despercebidas por todos. Temos que tomar as rédeas de nossas vidas e viver tendo em mente que a vida tal qual nós a estamos vivendo, se a tivéssemos que vivê-la eternamente, em cada segundo, cada dor, cada riso, cada esperança e cada conquista, se nada fosse alterado, se nada, por mais insignificante que seja pudesse ser alterado o mínimo possível, como veríamos nossa vida? Nos orgulharíamos de nós mesmos ou nos amaldiçoaríamos? Assistiríamos o filme da nossa vida como o filme de um herói ou como uma tragédia? Ou pior, uma comédia?
Cada dia construir algo para além de nós, conhecer, crescer, acrescentar, fortalecer, ir além... Estes devem ser nossos ideais norteadores. A certeza que não desperdiçamos o tempo, não passar mais tempo buscando coisas perdidas, olhar sempre afrente, não fugir ao Tempo nem ao Destino, amaldiçoar nossa Sorte, pois esta é uma desculpa dos fracos, dos que não tem força nem coragem, muito menos sinceridade em assumir nada. Deixar sua vida ser guiada por qualquer vento que soprar mais forte é estar perdido dentro da própria vida, se lançar ao mar com uma canoa sem remo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Do Saber Escolher

Nossa vida é feita a partir de escolhas, de ações, caminhos que decidimos seguir ou não. Alteramos nosso futuro a cada segundo, a cada nova escolha, a cada novo pensamento, a cada passo desviado, a cada palavra proferida... Não nos damos conta, entretanto, no valor de nossas escolhas, não nascemos com um caminho pré-traçado, definido, não nascemos com uma vida certa, não há certeza alguma na vida, a não ser que morreremos um dia.
Permita-me um parentes sobre a morte. Não consideramos também que a morte é algo presente, o que nos faz deixar muitas coisas para o futuro, não percebemos que a cada segundo estamos mais próximos da morte, cada minuto que passa é um tempo morto, irrecuperável, não podemos voltar no tempo, nada do que passou será recuperado e tudo o que voltar não é um retorno, mas uma reconquista. Tendo em mente a morte como algo presente a cada segundo, tendo a certeza de que podemos morrer a qualquer momento e estando preparado para a morte aceitamos as coisas sob um ponto de vista mais realista, presente, sem deixar para o amanhã, pois ele não nos pertence, só somos donos do presente. Sendo assim, também, traçamos nossa vida pensando em cada consequência, para não nos arrependermos nem deixarmos alguma brecha em nossa vida, como diz aquele louco filósofo devemos viver como se quiséssemos viver a mesma vida eternamente!...
Retornando às nossas escolhas... Perdemos muito tempo com futilidades e tarefas das quais não nos trarão nenhum retorno: jogamos muito, brincamos muito, conversamos besteiras em demasia, bebemos em excesso, usamos outras drogas, assistimos programas que falam da vida dos outros com tanto entusiasmo como se fofocas nos acrescentariam algo. Deixamos muita coisa para depois esperando surgir algo melhor, queremos o melhor em tudo, mas não nos esforçamos em tê-lo, somos passivos em relação à vida. Nossas escolhas nem sempre são fundamentadas, fazemos algumas coisas por não termos nada para fazer, aguardamos elas virem até nós, raramente buscamos.
Só começaremos a viver, de fato, quando aprendermos primeiro a morrer, para em seguida sabermos o valor do tempo e daí então começarmos a julgar nossas escolhas, nossos caminhos, o que nos acrescenta, o que é um impulso de vida, para a vida, e o que nos prende, o que é um passatempo. Temos em nossas mãos o sim e o não diante de qualquer situação, teremos pessoas que nos criticam querendo nosso bem, teremos pessoas que nos criticam por inveja ou ódio, teremos pessoas que inventarão histórias para nos derrubarmos e teremos aqueles que nos seguram na mão e nos levam quando precisarmos de ajuda. Preste atenção àqueles que te rodeiam e vejam em qual destes quatro tipo de pessoas eles se encaixam, quanto mais tivermos amigos mais seguro estará nosso caminho quando tivermos incertos, inseguros, com medo, quando bambearmos, assim não cairemos nos vícios e nem seremos guiados pelos invejosos e cobiçosos. E quando for decidir pra que dirá sim e pra que dirá não tenha como avaliador somente a ti mesmo, julgue os prós e os contras, se realmente deseja o que cobiça e se lhe será proveitoso, útil. Não deixe que tirem de ti sua escolha, sua avaliação, seu caminho. Àquilo que entra ou sai de sua vida pertence somente a ti, mantenha as rédeas da sua vida quando a chuva for forte, tenha cuidado para não cair na lama nem na chuva, para não errar o caminho, para não se desviar. O homem é demasiado vulnerável a qualquer sinal de problema e sofrimento, qualquer empecilho o faz querer tomar um caminho mais sereno, mas nem tudo o que é pacífico é o que lhe será de valor, precisamos matar todos os dragões que se interpuserem entre nós e nosso destino, para quando sairmos da vida estivermos com a cabeça erguida, sem decepção, sem aquela sensação de deveria ter feito isso? ou não deveria ter feito aquilo? ou por que será que não ouvi a mim mesmo? Quando saíres da vida não saia como entrou chorando, saia sorrindo serenamente, com a alma tranquila, e tendo a certeza de que viveu de modo que repetiria a mesma vida milhares de vezes exatamente como ela foi! (18/12/2010)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tempo!...

Perdemos nosso tempo pensando no futuro, desejando-o, e do mesmo modo o perdemos relembrando o que passou, o que fizemos, ou o que deveríamos ter feito. Sempre que pensamos no que passou encontramos uma maneira melhor de fazer o que fizemos em cada situação e nos lamentamos e perdemos tempo pensando no que devemos fazer para termos algo. Enquanto pensamos e nos lamentamos de algo que não fora feito como gostaríamos ou no que deveríamos fazer no futuro para alcançar um objetivo, um ideal, um sonho nosso presente se vai, desperdiçamos todo tempo nosso tempo - a única coisa que nos pertence, a única posse que temos verdadeiramente, e o perdemos sem reclamar porque o tempo está presente o tempo todo e não sentimos falta do que perdemos se ainda temos muito, ou acreditamos que o temos... Economizamos dinheiro ou gastamos mais do que possuímos e na maior parte das vezes com coisas desnecessárias, estragamos nosso corpo com bebidas e comida em excesso, trabalhamos onde odiamos, convivemos com pessoas e em lugares que não suportamos, há algo que nunca sabemos o que é, que nos faz aceitar tudo isso como algo aceitável, normal. Deixamos sempre para depois o que não parece ser tão importante, ou o que dá muito trabalho, pois estamos sempre muito cansados, e por isso sempre procuramos lazer e descanso ou invés de mais trabalho, mais esforço (físico ou mental), nunca lemos tudo o que gostaríamos ou deveríamos, sempre procuramos algo que nos divirta e nunca algo que nos acrescente, que nos eleve, nos deixe mais forte. Perdemos a vida quando deixamos para depois o que deveríamos fazer agora, quando desperdiçamos nosso tempo com futilidades e diversão, nosso espírito se torna mais infantil, mais vulnerável à vida, fazemo-nos reféns ao invés de mandantes de nossas vidas. Da mesma forma procuramos pessoas que nos divirtam, nos entretenham e nunca pessoas para debatermos, para criarmos algo além, para elevarmos nosso espírito... Passamos a vida toda dando desculpas esfarrapadas para os outros sobre as situações, sobre nós mesmos, evitamos pessoas, contatos, relacionamentos, trabalhos, lugares etc, uns porque são sérios, outros por serem cultos, ou bobos, ou devagar, ou rápidos, ou altos, ou baixos ou por qualquer outra desculpa... Achamos sempre que merecemos algo mais, a mais, melhor, maior. Nunca olhamos para nós mesmos nem avaliamos o que valemos, achamos sempre que somos diferentes, especiais. Procuramos sempre rostos e caraterísticas ou bens e nunca nos procuramos por sentimentos, estamos tão intimamente ligados à carne que nosso espírito se perdeu... Damos tanto valor a nós mesmos e passamos tanto tempo procurando e inventando nossos valores que perdemos nosso tempo, os dias passam, as semanas, meses, anos, quando somos jovens não damos tanto valor a isso, mas quando a idade avança, quando começamos a sentir a morte cada vez mais amarga, mais próxima, percebemos o quão vã foi a nossa vida. Esperamos sempre o que não existe, o que nunca chega, o impossível, o que é melhor, pensamos e pensamos e refletimos e estamos sempre no mesmo lugar, não sabemos avaliar o valor e o peso de cada coisa para nossa vida e nossa escolhas tendem para o lado mais fácil, fazer esforço cansa.. Um dia a morte virá, para todos, esta é a maior certeza que temos na vida e a única, e quando ela chegar nossa vida passara num flashback, o que veremos? Sentiremos orgulho? Achamos que a vida foi realmente vivida? Desfrutada? Teve valor? Viveria em cada segundo novamente a mesma vida? Mudaria algo? Por quê? Deixemos de lado tudo o que é vago, vazio, sem valor, fraco... Façamos de cada fração do tempo uma eternidade e façamos de modo que não nos desapontemos de nossas escolhas, nossos caminhos, de uma maneira que não moveríamos uma agulha do lugar, façamos cada segundo perfeito, completo. Evitemos as más línguas, os encrenqueiros, os ciumentos, os ambiciosos, os tolos, os fúteis, vise mais amor e menos dinheiro.

[Incompleto]

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mudança de Perspectiva

Desde a Idade Antiga a sociedade estava organizada com os nobres, a Igreja e toda a aristocracia na parte superior da cidade com seus castelos, casarões etc, sempre ficavam na parte mais alta da cidade e diagonalmente para baixo desciam as classes sociais. Esse sistema permaneceu até o fim da Idade Média, e em alguns lugares até fins do séc. XVIII e XIX, hoje em dia ainda pode-se ver esse modelo em Paranapiacaba, um distrito de Santo André, cidade que abrigava funcionários da SP Railway e última parada antes da descer a Serra, portanto, parada importante para descanso e início de novo trecho, mais demorado, com um sistema dividido em patamares e contrapeso. No alto de uma montanha há um casarão chamado de Castelinho que tem boa visibilidade de toda a cidade que servia para controlar funcionários, tráfego das locomotivas, etc, quase da mesma forma que na Idade Antiga, onde controlavam o movimento dos “cidadãos”, possíveis revoltas, ataques etc.
Com o fim da Idade Média, dos feudos, mudança de classes sociais, surgimento da burguesia no séc. XI, Renascimento, Rev. Americana e Francesas, o ‘povo’ foi ganhando mais ‘direitos’, nessa época surgiu também o proletariado etc, as cidades foram se horizontalizando, ou seja, não havia a mesma distribuição da nobreza nos castelos no alto das cidades etc, e sim uma distribuição por classes num plano horizontal, surgiram os bairros, cidades separadas por classes sociais horizontalmente.
Com o crescimento das cidades e das populações, as classes menos favorecidas foram cada vez mais sendo afastadas dos grandes centros urbanos e se marginalizando nas periferias, e aos poucos ocupando os morros, exemplo clássico como o Rio de Janeiro. O mundo novamente mudou seu plano, inclinou-se, porém desta vez com a classe baixa no alto, no meio de morros, lugares sem infraestrutura para moradia. Nos grandes morros afastados do centro estavam as favelas, os proletariados, os pobres, o povo. E embaixo, próximo aos centros, às praias estavam a ‘nobreza’.
O Mundo cresceu, porém rápido demais, hoje temos mais de 6 bilhões de habitantes no planeta, as cidades expandiram-se para todos os lados, destruímos florestas, rios, tudo o que podíamos para construir cidades, indústrias, dinheiro... Num mundo de desigualdade social, falta de pecúnia em grande parte da sociedade, sobrevivendo com o mínimo necessário, há uma má distribuição de terras e renda, lugares sem condições básicas para sobrevivência, as cidades estão crescendo, os grandes centros urbanos se expandindo e agora mudamos nossa perspectiva novamente, hoje o mundo tende a se verticalizar, tudo ir para o alto, pra cima, em cima.
Pra onde iremos em alguns anos? Habitaremos o fundo dos mares, os ares, desertos, geleiras, no meio dos mares e oceanos? O mundo cresce cada vez mais, mas para onde ele nos leva? Qual caminho estamos seguindo? Qual é a nossa finalidade?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Casamento, uma instituição falida?

Antigamente as pessoas se casavam por herança familiar, para manter a tradição de alguma família, para salvar uma família de alguma crise, decadência, escandalo etc. Só se casavam os nobres, a plebe, escravos etc não podiam se casar. Num primeiro momento o casamento consistia no fato de um homem e uma mulher coabitarem numa mesma casa. Em geral o Estado não se intrometia nos casamentos, o que começou a mudar na época de Augusto, em Roma, onde foram estabelecidas algumas leis sobre o casamento, a plebe poderia se casar com patrícios, foi instituido 'legalmente' as punições contra o adultério, o que acontecia como tradição, passou a ser lei, e em geral só quem era púnida era a mulher, o homem só era púnido caso se envolvesse com uma mulher casada. Em Roma a traição dava o direito até de matar a companheira e/ou o amante, o que hoje em dia é um crime. O casamento por amor era comum apenas nas classes baixas, visto que por não possuirem bens, só se uniam por tal afeição.
Por que as pessoas se casam hoje em dia? Não se casa mais para manter o nome, a reputação, de uma família, nem por tradição. Portanto não sobram muitos motivos que não o casamento por amor ou visando os bens do parceiro. Em nossa época grande parte desses casais vivem a base de traição, cada um no seu lado, no seu canto, geralmente "um ama mais do que o outro", um se sacrifica, enquanto o outro apenas goza dessa adoração, ou em alguns casos, verdadeiras idolatrações. Grande parte das pessoas traem, algumas se arrependem, poucas. Grande parte continua em adultério, por anos as vezes, e qual o sentido de estar com alguém querendo estar com outra pessoa? Além de nos enganarmos, estamos iludindo alguém e o fim é sempre trágico, difícil, duro, pesado.
Será que antes de nos casarmos refletirmos sobre a máxima nietzschiniana sobre a durabilidade de um casamento: "O casamento como uma longa conversa. - Ao iniciar um casamento, o homem deve se colocar a seguinte pergunta: você acredita que gostará de conversar com esta mulher até na velhice? Tudo o mais no casamento é transitório, mas a maior parte de tempo é dedicado à conversa". (F. Nietzsche, Humano, Demasiado Humano, trad. Paulo Cesar de Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2005.).
Há casamentos que são contraídos por sexo, por paixão [momentânea], por medo de ficar sozinho, por ter contraído filhos, para agradar alguém, por dinheiro [muito comum], mas será que quando não houver mais sexo, quando não houver mais dinheiro, quando a paixão acabar, quando os filhos crescerem, quando se descobrir que estar a só não é ser solitário, nem triste nem nenhum tipo de mal, o que vai sobrar do casamento? O que você prentederá fazer?
Hoje em dia temos a sorte do divórcio ser tão liberal, se tivéssemos nascido na Grécia ou Roma Antiga, só poderíamos nos divorciar caso um dos dois fosse estéril ou por traição, a mulher então não tinha direitos de fazer nada... O que faríamos se estivessemos nesta situação? Quando todo o transitório acabar, o que ficará? O que restará do casamento? Como será que viverá o casal onde não há amor, nem amizade, nem diálogo suficiente para uma vida?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Qual o sentido de se ter uma vida bestializada, cheia de excessos?

Hoje em dia é muito comum festas e baladas onde pessoas de todas as faixas etárias, classes sociais, cores e crenças se juntam para “curtir” um evento, um estilo musical, dança etc, onde as pessoas vão em bando, no caminho já param para beber, um aquecimento, chegam bêbados e/ou drogados, no local consomem mais bebidas ou drogas, usam tudo em excesso, buscam sexo desmesuradamente, prazeres, alívios e alegrias momentâneas. O ‘momento’ passou a se tornar o foco de tudo: “curtir o momento”. Não importando se passará algum tipo de vergonha ou constrangimento, se eventualmente for levado a um hospital em coma, desmaiado, machucado etc. Não há uma busca pelo futuro, pensar no futuro, busca-lo, querer pra si o melhor e ir atrás de um sonho. Isto tudo é careta, brega, cafona, fora de moda, tosco, ridículo... Aquele que vive à margem desse sentimento momentâneo, aquele que planeja, busca, que quer um futuro e vive pela sua realização, este homem saiu de moda. Talvez seja pelo fato do Mundo estar cada vez mais violento, sempre termos novidades, sempre mudando, o que faz com que as pessoas tenham certa propensão a não se sentirem seguras e não pensarem em nada. Zombam daqueles que não sigam estas ideias. Não pensam, não leem, são animais de duas patas que tem uma capacidade [atrofiada] de pensar. O Estado inibe o povo de pensar, de aprender, ele dá direitos a isso, porém, não é importante uma sociedade pensante, contra o Estado, contra todos os escândalos políticos, contra roubos, impostos abusivos, contra todo lixo que nos é jogado e calados comemos a melhor merda do governo. E parece que gostamos disso.
Estranho pensar em como a história sempre pende entre opostos, uma sociedade, um país, um povo, um Mundo inteiro que deveria progredir cada dia mais regride, rumando ‘apocalipticamente’ para o caos total, todas as tentativas de salvar a [alta] cultura (a verdadeira cultura: aquilo que nos eleva em espírito e força), a racionalidade, as humanidades foram frustradas, descartadas. Na Grécia Antiga idiota era aquele que se mantinha afastado da vida pública, a política era algo para os cidadãos, hoje o ser-cidadão tornou-se o idiota. No Renascimento os mecenas investiam alto em grandes artistas, grandes obras foram produzidas, nesse período mais do que em qualquer outro da história a cultura foi imensamente enriquecida e difundida. Hoje nossos mecenas gastam fortunas com prazeres baratos, com distrações, com cultura de massa, num grande lixo que nos distrai, nos alivia, nos fazem dar risada e seguimos nossas vidas acreditando que somos felizes, que estamos vivendo ao máximo consumindo todo lixo cultural e todas as drogas, lícitas e ilícitas, que os governos e os mecenas, que ora ou outra se mesclam.
A sociedade está organizada de tal modo que não há espaço para grandes pensadores, grandes obras, tudo é distração, tudo tem que ser momentâneo, não pode requerer trabalho, a rotina diária do homem o deixou cansado, sorumbático, melancólico, ele desaprendeu a viver, a sentir, a instruir-se, a cultivar-se. Está inserido numa sociedade desmesuradamente hedonista, momentânea, perdeu-se o futuro, a esperança, tudo tornou-se instantâneo, digital, fraco, falso. O ser humano só evolui através da luta, do aprendizado, da dureza de espírito, da dúvida, da busca, da racionalidade, da cultura, só crescemos quando algo acrescenta algo a nós, quando nós torna mais preparados, seguros, firmes, quando deixamos de ser instantâneos e ecoamos através do tempo e espaço, quando aquela sensação, aquele prazer não acaba com a ação, mas permanece após seu término e não se altera.

“O homem é algo que deve ser superado. O que fizestes para superá-lo? (...) Podes dar a ti mesmo o teu mal e o teu bem e suspender a tua vontade por cima de ti como uma lei? Podes ser o teu próprio juiz e vingador da tua lei?" (Nietzsche, F. Assim Falava Zaratustra (trad. Mario da Silva), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, pgs. 36; 89)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fazer sexo ou fazer amor?

Quando criança acreditava que fazer amor era aquele momento mágico, com pétalas de rosas, onde duas pessoas perdem a virgindade e numa espécie de transe, de feitiço de Cúpido transam [romanticamente] a noite inteira e no outro dia acordam com a sensação de que estão no céu, que o mundo acabou e que tudo é aquele momento, que só existem eles no mundo, que nada nem ninguém conseguirá tirar essa perfeição. E daquele dia em diante tudo será um mar de rosas. Tinha uma visão brega-romântica do fazer amor. Passei a acreditar na adolescência de que não existe o ‘fazer amor’, sexo é sexo, sexo por sexo e sexo pelo sexo. Resumindo era totalmente físico, atraente, prazeroso, transando com a pessoa amada ou com uma pessoa qualquer que acabara de conhecer numa boate o sexo era mesmo, o que mudaria era com quem, onde, o que e como ele seria feito, mas sexo era sempre sexo. Sexo como finalidade, não como conseqüência. Parei para pensar esses dias conversando com uma amiga sobre os relacionamentos atuais, sobre a facilidade de se ter sexo, sobre essa busca que às vezes parece desenfreada por sexo, sobre essa cultura completamente hedonista-corpórea-momentânea, essa inconseqüência juvenil do agora, do querer experimentar tudo... O sexo tornou-se mecânico, faz-se por puro prazer como se fosse uma necessidade, buscam-no como o mais necessário e não importa onde, com quem ou como se faça, o importante é fazer, é aliviar momentaneamente esta ‘tensão’. Não sei se a vida adulta é assim meio sem graça ou se é esta geração que anda sem limites, sem valores, perdida em sua sexualidade com o advento de tantas coisas, tantos recursos tecnológicos que podem dar prazer, excitar, compartilhar com outras pessoas ou se exibir como um traço que denote poder, força. Na época do colégio tinha uma conquista antes de se relacionar com alguém, primeiro investigava-se sobre a vida da pessoa, depois começava as conversas, o xaveco, as indiretas, as diretas, até o primeiro beijo, e isso durava alguns dias geralmente. Hoje é tudo instantâneo, não dá pra esperar, 'tem que ser agora', precisa ser agora, se não for agora com uma pessoa, logo em seguida irá atrás de outra e a busca não tem fim. Acho que a diferença entre fazer amor e fazer sexo consiste no fato de como o sexo é conquistado e aquela minha idéia do fazer-amor-romântico[brega] começa a tomar outra forma, ele deixa esse lado mágico e torna-se mais atraente, mais encantador, mais sensual, mais demorado, mais respeitoso, é quando você não vai pra cama com a pessoa sem saber o nome, mas antes disso tem toda uma conquista do sexo, não termina em um encontro, são uma série de encontros até o desfecho de tudo, é quando no fim do dia você fica pensando em como vai ser o próximo e por mais que você queira possuir a pessoa naquela noite, você deixa-a com vontade, faz com que ela deseje o próximo encontro, com que planeje como as coisas acontecerão e o sexo se torne tão sensual, quanto misterioso, quanto excitante e atraente, com que tenha uma busca, um ritual de conquista da pessoa. Com que sexo não seja somente sexo, como finalidade, mas como conseqüência, sem todo aquele papo brega-romântico dos filmes, mas como uma conseqüência do desejo e de uma conquista. O ser humano não precisa quantificar o sexo e sim qualificá-lo, não fazer apenas por prazer desenfreado, mas também por amor, não buscar sexo (mecânico), mas conquistá-lo. Esse sexo concerteza será mais atraente, mais prazeroso...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Por que filosofar com o martelo? O que é filosofar com o martelo?

Nietzsche em “Crepúsculo dos Ídolos – Ou Como Filosofar Com o Martelo”, livro escrito em 1888 onde (também) declara guerra à Wagner e sua tetralogia (O Anel dos Nibelungos), que se encerra com o Crepúsculo dos Deuses (tradução incorreta do nórdico Ragnarök), que segundo a mitologia escandinava era a batalha final dos deuses, onde todos morreriam: deuses, gigantes, heróis e o próprio mundo que seria despedaçado em inúmeras partes. Diz a lenda que os heróis após morrerem vão para o Valhala (palácio mágico situado em Asgard (terra dos deuses nórdicos)aguardarem a batalha final (Rangnarök) que até chegar este dia vivem em banquetes, festas e farturas), no dia da batalha final se juntam a Odin (o maior dos deuses, deus da sabedoria, rei dos deuses) para lutarem contra Loki (irmão de Odin e deus do fogo e da trapaça) e seus aliados.
Neste livro do terceiro período de sua filosofia sobre a transvaloração de todos os valores iniciada com Assim Falava Zaratustra, escrito entre 1883 e 1885, Nietzsche pretende destruir os valores tradicionais tais como a moral cristã (sua maior inimiga), os erros dos filósofos anteriores e as idéias modernas, debate sobre temas como o perspectivismo, o aristocracismo, o materialismo, o antigermanismo, a desconstrução da metafísica, educação, cultura, Estado etc.
É nessa fase que aparecem os termos capitais de sua filosofia tais como a vontade de potência, o eterno retorno, a morte de Deus, o amor fati, a transvaloração dos valores, o além-do-homem, entre outros. É nessa fase, mais precisamente no Crepúsculo dos Ídolos que surge a expressão da filosofia com o martelo, seu pensamento funda-se numa concepção libertadora de existir onde pretende destruir todas as construções arcaicas, preconceitos do pensamento, a moral cristã fundada no extra-terreno e outras idéias, para após esta desconstrução reerguer uma nova casa, uma nova moral, uma nova vida. Seu filosofar se assemelha ao fazer do martelo.

domingo, 25 de julho de 2010

Filosofia de Boteco...

Antes de qualquer postagem, qualquer palavra, qualquer pensamento que queira se manifestar é mais do que necessário e seria até falta de educação de minha parte uma breve apresentação do blog. O blog não tem nenhuma outra finalidade do que expor alguns textos, algumas reflexões que me ocorrem por acaso (ou não) sobre os mais diversos assuntos e debatermos sobre os mesmos, criando uma atmosfera de exposição de pensamentos e idéias e debate! [26/7//2010 às 02:22]